Na atrofia muscular espinhal, ocorre uma perda de células importantes na medula espinhal chamadas neurónios motores, que são essenciais para a força e movimento musculares. Estes neurónios motores regulam a atividade muscular através do envio de sinais provenientes do sistema nervoso central (SNC), que é a parte do sistema nervoso que inclui o cérebro e a medula espinhal.1,2

A perda de neurónios motores funcionais resulta em fraqueza e atrofia muscular progressivas (uma diminuição gradual da massa muscular e da força dos músculos), pois os músculos deixam de receber sinais do SNC.3

Ao contrário de muitas outras doenças neuromusculares raras, existe um claro entendimento da causa genética específica da atrofia muscular espinhal.

Qual é a causa da atrofia muscular espinhal?

A atrofia muscular espinhal é causada por uma mutação no gene 1 de sobrevivência do neurónio motor (SMN1). Este gene é responsável pela produção da proteína de sobrevivência do neurónio motor (SMN), que mantém a saúde e o normal funcionamento dos neurónios motores. Em pessoas com atrofia muscular espinhal, ambas as cópias do gene SMN1 apresentam uma mutação, resultando numa menor produção da proteína SMN. Na ausência de um nível adequado da proteína SMN, os neurónios motores da medula espinhal degeneram-se, impedindo os músculos de receber sinais apropriados do cérebro.4,5

A degeneração dos neurónios motores resulta numa diminuição gradual
da massa muscular e da força dos músculos (atrofia).

Apenas para fins ilustrativos.

O que significa ter atrofia muscular espinhal?

Cada indivíduo com atrofia muscular espinhal é afetado de forma diferente, e é importante lembrar que os sintomas podem variar consideravelmente, dependendo da idade de início da doença e da sua gravidade. Os indivíduos poderão apresentar fraqueza muscular progressiva nos músculos mais próximos do centro do corpo, como nos ombros, coxas e bacia. Estes músculos possibilitam a realização de atividades como gatinhar, caminhar, sentar e controlar o movimento da cabeça. A respiração e a deglutição também poderão ser afetadas.7

A atrofia muscular espinhal não afeta os neurónios responsáveis pela cognição, que é o processo mental através do qual adquirimos conhecimentos e compreensão através do pensamento, da experiência e dos sentidos.8,9 De acordo com um estudo, as crianças e os adolescentes com atrofia muscular espinhal têm uma inteligência normal, com valores de QI dentro do intervalo da normalidade. Testes de inteligência, cognitivos e comportamentais podem ajudar a impedir que crianças em idade escolar se sintam entediadas, frustradas e pouco desafiadas.10

O que devo saber sobre o SMN2?

Todas as pessoas com atrofia muscular espinhal têm pelo menos um «gene de reserva», conhecido como SMN2. O gene SMN2 tem uma estrutura semelhante à do SMN1, mas apenas uma pequena quantidade (10%) da proteína SMN produzida é totalmente funcional. Esta reduzida quantidade de proteína SMN não é suficientemente eficaz para sustentar a sobrevivência dos neurónios motores no SNC.11-13

O número de genes SMN2 pode variar, sabendo-se que um maior número de cópias de SMN2 está associado a sintomas de atrofia muscular espinhal menos graves.4,13,14 A doença apresenta uma grande variedade de sintomas e, embora exista uma forte correlação entre o número de cópias de SMN2 e a gravidade da doença, existem exceções. Por este motivo, os especialistas recomendam que as decisões clínicas sejam tomadas com base na capacidade funcional do doente, e não no número de cópias de SMN2. No entanto, o número de cópias de SMN2 é utilizado como um critério importante na admissão em ensaios clínicos.2,15

Como é herdada a atrofia muscular espinhal?

A atrofia muscular espinhal é uma doença autossómica recessiva, o que significa que, para uma criança estar em risco, terá de herdar 1 gene SMN1 com mutação de cada progenitor. Se uma criança herdar apenas um gene SMN1 com mutação, considera-se que é «portadora», no entanto geralmente não apresenta sintomas de atrofia muscular espinhal.16

Se tiver historial familiar de atrofia muscular espinhal, as suas probabilidades de ser portador(a) são superiores à média. Para o seu planeamento familiar, poderá ser útil consultar o seu médico para saber que mutações são mais frequentes na sua família. Após o conhecimento das suas mutações familiares, poderá realizar-se o teste mais apropriado:

  • Se a sua família tiver historial de deleções do gene SMN1, um teste para determinar o número de cópias poderá ser apropriado para si
  • Se as suas mutações familiares incluírem uma alteração mais subtil no gene, o seu médico e o laboratório poderão determinar se existe algum teste para procurar essa alteração específica

Se não for possível obter informações sobre o historial de mutações na sua família, ainda assim poderá fazer um teste para determinar o número de cópias deste gene. A probabilidade de ser portador(a) (antes de fazer o teste) será calculada com base no seu historial familiar. Se os seus resultados forem normais, a probabilidade de ser portador(a) poderá ser menor.

Muitos laboratórios e hospitais disponibilizam rastreios de portadores para determinar se um ou ambos os progenitores são portadores da mutação no gene SMN1. Este  rastreio pode fornecer aos pais e respetivas famílias informações sobre o risco de dar à luz uma criança com atrofia muscular espinhal.17 Um conselheiro genético é um profissional treinado para ajudar as famílias a perceber melhor as informações sobre riscos genéticos, testes e diagnóstico.

Perceba qual é o papel de um conselheiro genético aqui

REFERÊNCIAS

1. Lunn MR, Wang CH. Spinal muscular atrophy. Lancet. 2008;371(9630):2120-2133. 2. Wang CH, et al. Consensus statement for standard of care in spinal muscular atrophy. J Child Neurol. 2007;22(8):1027-1049. 3. National Institute of Neurological Disorders and Stroke. Motor Neuron Disease Fact Sheet. 2012. Disponível em: https://www.ninds.nih.gov/Disorders/Patient-Caregiver-Education/Fact-Sheets/Motor-Neuron-Diseases-Fact-Sheet. Consultado a 9 de janeiro de 2017. 4. Genetics Home Reference. SMN1 gene. 2012. Disponível em: https://ghr.nlm.nih.gov/gene/SMN1. Consultado a 9 de janeiro de 2017. 5. Genetics Home Reference. SMN2 gene. 2012. Disponível em: https://ghr.nlm.nih.gov/gene/SMN2. Consultado a 9 de janeiro de 2017. 6. Biogen Inc. Data on file.  7. Finkel R, et al. 209th ENMC International Workshop: Outcome Measures and Clinical Trial Readiness in Spinal Muscular Atrophy 7-9 November 2014, Heemskerk, The Netherlands. Neuromuscul Disord. 2015;25(7):593-602. 8. Cure SMA. At School. 2016. Disponível em: http://www.curesma.org/support-care/living-with-SMA/daily-life/at-school/. Consultado a 9 de janeiro de 2017. 9. National Organization for Rare Disorders. Werdnig-Hoffman Disease. 2012. Disponível em: https://rarediseases.org/rare-diseases/werdnig-hoffmann-disease/. Consultado a 9 de janeiro de 2017. 10. Iannaccone ST. Modern management of spinal muscular atrophy. J Child Neurol. 2007;22(8):974-978. 11. Cure SMA. Cure SMA Medical Provider Information Kit. Disponível em: http://www.curesma.org/documents/support--care-documents/2016-sma-awareness-mpak.pdf. Consultado a 9 de janeiro de 2017. 12. Cherry JJ, et al. Identification of novel compounds that increase SMN protein levels using an improved SMN2 reporter cell assay. J Biomol Screen. 2012;17(4):481-495. 13. Darras BT, Royden Jones H Jr, Ryan MM, De Vivo DC, eds. Neuromuscular Disorders of Infancy, Childhood, and Adolescence: A Clinician’s Approach. 2nd Ed. London, UK: Elsevier; 2015. 14. Prior TW. Perspectives and diagnostic considerations in spinal muscular atrophy. Genet Med. 2010;12(3):145-152. 15. TREAT-NMD. Diagnostic testing and care of new SMA patients. Disponível em: http://www.treat-nmd.eu/downloads/file/standardsofcare/sma/english/sma_soc_en.pdf. Consultado a 9 de janeiro de 2017. 16. National Organization for Rare Disorders. Spinal Muscular Atrophy. 2012. Disponível em: https://rarediseases.org/rare-diseases/#causes. Consultado a 9 de janeiro de 2017. 17. Quest Diagnostics. SMA Carrier Screen. 2013. Disponível em: http://www.questdiagnostics.com/testcenter/testguide.action%3Fdc%3DTS_SMA. Consultado a 9 de janeiro de 2017.